A narrativa ocorre em uma pequena região mineira, onde as tradições orais ainda são seguidas, e podemos encontrar a crença na Mula sem cabeça e um tio que joga advinhas para se comunicar com Madalena. Ela, ainda jovem, se relaciona com um bispo e tem de lidar com a reação da comunidade em que vive, enquanto abandona, ainda que involuntariamente, a infância. A história não pertence ao Bispo e nem às suas ações. É Madalena quem precisa viver as consequências desta relação e aos poucos, construir a sua própria autonomia, que seguimos página depois de página. A pedofilia existente na vida real também faz parte da ficção, mas, Celina Coelho escolhe apresentar a visão da vítima, e, de certa forma, o começo de sua sua história de superação.