Carlito Carvalhosa (1961–2021) construiu uma trajetória singular na arte contemporânea ao explorar diversas técnicas e suportes, com uma abordagem que expande os limites dos materiais e do espaço. Seu trabalho, quase sempre marcado pela presença do corpo — seja no seu gesto, na interação com a obra ou no reflexo proporcionado —, estabelece diálogos potentes com o público e o ambiente expositivo. Este volume é a mais abrangente monografia já dedicada ao artista. O livro apresenta, além de textos de Luis Pérez-Oramas, Lúcia K. Stumpf, Geaninne Guimarães, André Lepecki, Daniel Rangel e Bernardo Mosqueira, uma cronologia ilustrada e um grande arco de obras, onde fica patente a mescla entre trabalhos bidimensionais, tridimensionais e grandes instalações, assim como a reiteração de algumas características que atravessam toda a produção do artista. Oramas analisa praticamente toda a produção de Carvalhosa, demonstrando a múltipla, profícua e sofisticada produção do artista. Stumpf apresenta a trajetória de Carvalhosa a partir do acervo documental e material deixado por ele de forma extremamente sistematizada. Guimarães estuda a pontual produção de monotipias e gravuras de Carvalhosa, deixando patente a coerência conceitual e estética estabelecida em todo o trabalho do artista. Lepecki percorre a "vontade construtiva" de Carvalhosa de forma inusitada. Rangel esmiuça as instalações site-specific do artista, recorrentes em sua carreira. E Mosqueira estuda a "membrana" como uma característica (física e conceitual) presente em várias, senão todas, as fases de sua criação artística.