O grafismo indígena tem origem na pintura corporal. Usado em ritos cerimoniais e no dia a dia das aldeias, com o tempo, passou por contínuas transformações e começou a ser reproduzido também na produção material: em adereços, na cerâmica, em tecidos, na cestaria e nos bancos. Assim como a forma do banco e a madeira usada em sua fabricação, o grafismo tem um significado. Pode passar adiante uma história transmitida de geração em geração. Pode ilustrar um animal que faz parte de uma narrativa fundadora da cosmovisão de seu povo e, dessa maneira, dotar o banco em que está pintado de propriedades especiais ou mesmo sobrenaturais. Pode ter valor unicamente estético. Pode ser uma inclusão recente no imaginário do povo que o desenha, como é o caso do grafismo da seringueira entre os Xipaya. Pode figurar no banco conforme a demanda dos consumidores não indígenas no comércio entre as aldeias e o mundo urbano.